Pedro, nós e quando a compaixão é satânica

28/01/2022 14:52
                         
Desde então começou Jesus a mostrar aos seus discípulos que convinha ir a Jerusalém, e padecer muitas coisas dos anciãos, e dos principais dos sacerdotes, e dos escribas, e ser morto, e ressuscitar ao terceiro dia.
E Pedro, tomando-o de parte, começou a repreendê-lo, dizendo: Senhor, tem compaixão de ti; de modo nenhum te acontecerá isso.
Ele, porém, voltando-se, disse a Pedro: Para trás de mim, Satanás, que me serves de escândalo; porque não compreendes as coisas que são de Deus, mas só as que são dos homens.
Então disse Jesus aos seus discípulos: Se alguém quiser vir após mim, renuncie-se a si mesmo, tome sobre si a sua cruz, e siga-me;
Porque aquele que quiser salvar a sua vida, perdê-la-á, e quem perder a sua vida por amor de mim, achá-la-á.
Pois que aproveita ao homem ganhar o mundo inteiro, se perder a sua alma? Ou que dará o homem em recompensa da sua alma?


Mateus 16:21-26
 
Em Mateus 16, Jesus pergunta aos seus discípulos quem as pessoas dizem que ele é. Então, depois da resposta deles, ele retruca e pergunta:
“E vocês – quem vocês dizem que eu sou?” (Mateus 16:15). Pedro, dá a resposta correta dizendo que Jesus é o Messias, o Filho do Deus vivo, e Jesus afirma que ele poderia saber aquilo somente por revelação divina. Logo após Jesus lhes conta exatamente o que irá acontecer consigo em sua paixão e o mesmo Pedro é repreendido veementemente sendo mesmo referido o nome de SATANÁS!

Mas afinal porquê que Jesus foi tão duro, será que a compaixão de Pedro por seu mestre estava assim tão errada?

Depois das palavras de Jesus dizendo o que lhe iria acontecer, parece natural que Pedro esteja horrorizado com a ideia, isso o aterroriza. Eu não o acusaria de um grande interesse próprio ou qualquer outra motivação do tipo.
Pedro claramente ama Jesus, de todo o coração, e a ideia de Ele ser tratado desta forma simplesmente enoja Pedro.
Nós podemos culpá-lo? 
Em seu lugar, teríamos realmente suspirado, nos conformado, aceitado piedosamente e dito “Sim, bem, isto é o que algumas profecias parecem sugerir...”?
Ainda assim, Jesus o condena, na verdade, Ele o condena terrivelmente: “Para trás de mim, Satanás! Você é uma pedra de tropeço para mim. Pois você não pensa nas coisas de Deus, mas nas dos homens” (Mateus 16:23, ESV)... Era demais para o dia feliz de Pedro!
 
Mas por que Jesus chama Pedro de “Satanás”? 
Pedro não foi motivado por uma sensível preocupação compassiva por Jesus? Eu não entenderia de outra forma. E Jesus não culpa os sentimentos de Pedro, mas os pensamentos. Algumas versões traduzem: “Você não está pensando nos assuntos de Deus”. “Não pensando” é tradução de ou phroneis, o que aponta para uma disposição de mente, uma atitude ou padrão mental. O assunto em questão não vem da perspetiva de Deus.
De que forma isto é ser como Satanás?
Minha mente volta-se para a primeira aparição de Satanás, em que nós o vemos como o possível melhor amigo do homem. Não é como ele realmente se apresenta?
Primeiro, ele não pode acreditar que Deus realmente separou todas as árvores do jardim. “Deus realmente disse isto?”, ele começa. Ele odeia ver a mulher tão privada, tão reprimida...
Então quando Eva corrige a Satanás sobre Deus, não são todas as árvores, diz ela, então Satanás imediatamente passa a acalmar a ansiedade dela. Ela não deveria negar algo assim a si mesma! A fruta que ela quer é a fruta que ela "precisa", e Deus não tem nenhuma boa razão para afastá-la dela! Que Deus tenha misericórdia de ti, Eva. Pegue a fruta e realize-se, descubra seu potencial!
E com Pedro?
Acredito que também em Pedro ele trabalhou impercetivelmente nos seus pensamentos, manipulando este bom impulso até que aquilo que saiu da sua boca de Pedro fosse exatamente o que Satanás queria que ele dissesse.
Pedro sem dúvida sentiu um tipo de compaixão; mas esta compaixão era satânica. Não partiu de um ponto inicial de Deus, pensar de forma rigorosamente analítica e autocrítica, e nem permaneceu nisto.
Compaixão é uma emoção humana maravilhosa e louvável – ou pode ser, quando é moldada e direcionada com a Palavra. Mas, se Pedro não apresenta algo assim, ele nos mostra que compaixão pode ser errada. Afinal para que Jesus cumprisse a sua missão era necessária a cruz, e isso estava escrito.
Vejamos um exemplo atual:
 
Defensores do aborto apresentam sua posição como uma posição compassiva, na verdade como “posição compassiva”. Aqueles que se opõem ao direito ao aborto (como eles chamam) não têm compaixão pelas mulheres em crise. É claro, nós temos uma resposta pronta, e podemos mostrar que temos compaixão tanto da mãe quanto do filho.
Mas, e quanto aos “casos difíceis”? O que dizer do estupro ou incesto? Aqui é onde ouço a compaixão de muitos cristãos sobrepujar seu pensamento bíblico.
Mas veja, deixe-me ser claro. Eu acredito que a maior compaixão é completamente apropriada para vítimas destes crimes perturbadores. Acredito que mulheres assim devem receber todo o tipo de ajuda, encorajamento e apoio que possam ser dados a elas. Eu apenas não acho compassivo transformar uma vítima em alguém que vitima. Em casos assim, existem duas vítimas: a mãe, e seu filho. Ninguém deveria ser punido por ser uma vítima. Ambos merecem compaixão e apoio. Eu apenas não vejo aprovação bíblica para encorajar uma mulher a vitimar seu filho, contratar o assassinato dele ou dela, e chamar isto de “compaixão”.
“Ah”, muitos dizem, “esta é uma questão muito emocional”. Sim, realmente é. Assim como a predição de Jesus sobre sua morte violenta. Esta foi uma questão muito emocional para Pedro. Pedro deixou suas emoções controlarem sua mente, e levou sua mente a uma direção satânica.
 

E nós, não iremos aprender nada de Pedro?

 
Talvez você possa pensar em outras questões contemporâneas onde os valores satânicos se disfarçam debaixo de uma máscara de compaixão, aliás o satanismo adora fazer isso.
Homossexualidade vem à mente. Soa como uma verdadeira dispensação de compaixão dizer às almas torturadas que elas deveriam abandonar as lutas, aceitar suas paixões e abraçá-las. Mas esta é a compaixão do Inferno. Esta é a compaixão que ignora a Cruz, com suas igualmente grandes ameaças de julgamento e promessas de redenção, resgate e liberdade.
Dizer às almas sofrendo com alguma paixão vil, seja homossexualidade, adultério, roubo, ou assassinato, que elas não têm nenhuma esperança de libertação, que sua única esperança é redefinir-se e abraçar o pecado, não é compaixão afinal?
Pois...
 

E a compaixão satânica para connosco?

Porém, meus últimos pensamentos aqui voltam-se para outra forma satânica de compaixão: a “compaixão” que temos de nossos próprios pecados.
Podemos ler superficialmente todos os particulares acima, se nós nunca enfrentamos essas batalhas específicas. É fácil para alguém que nunca teve o menor desejo homossexual fazer julgamentos morais de forma superficial sobre o assunto; e da mesma forma com todos os outros mencionados.

Mas e quanto à sua língua maligna? E quanto à minha tendência ao desespero incrédulo? E quanto ao arrogante desrespeito dela com o esposo? E quanto à falta de atenção dele com sua esposa, ou a despreocupação com seus filhos?

Oh, estes são diferentes, não são? Estes são nossos pecados queridos.
Nós temos compaixão de nós mesmos, compaixão de nossos pecados de estimação. Nós criamos um campo-de-força de racionalizações ao redor deles. Eles são diferentes, porque nós somos diferentes e nossa situação é diferente. Certamente eles não podem ser levados para a Cruz! Mortificar estes pecados? Dar-lhes uma morte dolorosa? Lutar e lutar, sangrenta e incessante e impiedosamente, até que eles parem de debater-se e respirar, e sejam substituídos por atitudes e comportamentos que honram a Deus? Que Deus tenha misericórdia de nós, isto nunca pode acontecer!
Soa familiar?
Compaixão satânica. Deus nos permite que nós todos aprendamos de Pedro.
 

Fonte:

Quando a “compaixão” é satânica
http://www.monergismo.com/textos/pecado_tentacao/compaixao_satanica_phillips.htm