Pedro nega Jesus. Ignorância ou covardia? (Parte2) – A grande lição de Pedro

16/11/2014 22:38
                                  
Agora que já enquadramos cronológica e culturalmente a passagem das negações de Pedro, vamos então partir para a lição a retirar deste importante acontecimento.
Antes demais, convém que se diga que Pedro, tal como muitos de nós, sempre foi muito intempestivo e precipitado em suas decisões. Pedro era um homem que agia sem pensar, por impulso, ele sempre era o primeiro a reagir em qualquer situação, muitas vezes não esperava sequer a resposta do Mestre, saia para a acção e depois logo se via…
O interessante é que mesmo com todas as atitudes intempestivas, ele nunca deixou de fazer parte do círculo íntimo de Jesus, e o círculo era pequeno, apenas três discípulos: Pedro, Tiago e João.
 

Mas será que então foi covardia ou medo? O que levou Pedro a negar seu Mestre amado no dia da sua prisão?

 
Vamos em primeiro lugar, recorrendo aos evangelhos, reconstruir a cena.
 
Na noite da última ceia quando Jesus avisa o que lhe iria acontecer, Pedro lhe diz:

Mas Pedro declarou: "Mesmo que seja preciso que eu morra contigo, nunca te negarei". E todos os outros discípulos disseram o mesmo."

Mateus 26:35
 
E logo após, já no Jardim onde Jesus foi preso:

Enquanto ele ainda falava, chegou Judas, um dos Doze. Com ele estava uma grande multidão armada de espadas e varas, enviada pelos chefes dos sacerdotes e líderes religiosos do povo.

Mateus 26:47
 

Um dos que estavam com Jesus, estendendo a mão, puxou a espada e feriu o servo do sumo sacerdote, decepando-lhe a orelha.

Disse-lhe Jesus: "Guarde a espada! Pois todos os que empunham a espada, pela espada morrerão.

Você acha que eu não posso pedir a meu Pai, e ele não colocaria imediatamente à minha disposição mais de doze legiões de anjos?

Mateus 26:51-53
 
E no evangelho de João ficamos a saber que foi Pedro que de imediato puxou da espada:

Simão Pedro, que trazia uma espada, tirou-a e feriu o servo do sumo sacerdote, decepando-lhe a orelha direita. ( O nome daquele servo era Malco. )

Jesus, porém, ordenou a Pedro: "Guarde a espada! Acaso não haverei de beber o cálice que o Pai me deu?"

João 18:10-11
 
Ora conforme sabemos pelos evangelhos, embora em inferioridade numérica, Pedro avança para o confronto físico mesmo contra soldados treinados e armados, logo, covardia, com certeza, não era o problema do qual Pedro padecia.
Mas sendo assim, o que o levou Pedro pouco tempo depois, nessa mesma noite, ter negado seu Mestre por três vezes?
O problema é que por essa altura, Pedro apesar de ter convivido com Jesus por três anos, ainda não tinha verdadeiramente entendido a guerra que Jesus veio travar;

A GUERRA ESPIRITUAL!

 
Pedro ainda estava muito preso a conceitos materiais humanos, mas essa guerra não se trava pela força, mas sim pela palavra, mostrando ao homem; o que é a verdade!
Jesus deixa bem claro que se fosse pela força, jamais seria preso:

"Ou pensas tu que eu não poderia agora orar a meu Pai, e que ele não me daria mais de doze legiões de anjos?"

Mateus 26:53
Mas esse não era o caminho, o caminho era sim mostrar ao homem que Deus estava disposto a tudo, inclusive dar a sua própria vida na carne para que ele acordasse, se arrependesse de seus maus caminhos e pelo seu próprio livre arbítrio se libertasse da escravidão do pecado.
Pedro não negou seu Mestre por medo de enfrentar a morte, ele simplesmente ficou confuso com o que se estava a passar e sua consciência não sabia o que fazer ou dizer após Jesus lhe ter dito que não seria pela espada que sua guerra seria ganha. Então quando foi posteriormente confrontado, já sem Jesus a seu lado, seu parco conhecimento falou mais alto, originando as negações.

Pedro sofria de ignorância espiritual!

 
Mas Jesus sabia disso, Ele não condenou Pedro, Ele o perdoou, pois sabia que esse episódio faria parte de seu crescimento espiritual.
Jesus via em Pedro alguém que tinha interesse em aprender, alguém que estava sempre próximo ao Mestre, alguém que fazia perguntas, alguém que questionava.
Jesus o repreendeu várias vezes e o mais importante é que Pedro aceitava a correção, não ficava de “bico”, e quem age assim, quer crescer, quer chegar a algum lugar. Para o verdadeiro mestre, este é o verdadeiro discípulo, a mediocridade, jamais alcançará este tipo de aluno. Vai dar frutos, com certeza.
Após a partida de Jesus, e depois dessa enorme lição, Pedro começou a mostrar o que aprendeu com o seu amado Mestre. Pedro agora é ousado, menos intempestivo, já não agia por impulso e também estava disposto a dar sua vida pela pregação do Evangelho, tal qual fez.
E já depois de sua ressurreição Jesus tem uma conversa com Pedro, onde lhe pergunta também por três vezes se Pedro o Ama, e Pedro já com mais cautela nas palavras utilizadas lhe diz pelas três vezes que sim, nessas três vezes Jesus lhe diz então para Pedro cuidar e instruir o seu povo, pregando o Evangelho.
E dai em diante Pedro levou a palavra de Deus a milhares de almas e sempre arriscando a sua vida converteu a muitos, sendo um dos grandes responsáveis por hoje termos acesso ao Evangelho de Jesus Cristo.
A reconciliação estava feita, Jesus perdoou Pedro, lhe deu um ministério e uma enorme lição do que realmente deve interessar para um verdadeiro cristão.
Jesus sempre perdoa quando assumimos e corrigimos nossos erros!
 

Conclusão

Pedro na noite da prisão de Jesus, ainda não sabia verdadeiramente o que estava em causa para seu Mestre, tal como muitos cristãos hoje em dia não sabem, apesar de irem todas as semanas às igrejas.
Muitos de nós também nos deixamos levar pelo impulso e emoção, mas antes pelo contrário; devemos ter paciência e sabedoria, principalmente quando travamos a batalha espiritual.
Não será pela força ou violência que conseguiremos almas arrependidas, mas sim pela nossa sabedoria e força pregatória que advém do estudo e conhecimento do Evangelho.
É claro que não devemos ser totalmente passivos e devemos confrontar as pessoas que queremos salvar com a verdade, e se necessário for confrontá-las com os seus próprios problemas a resolver, mas tudo duma forma compassiva, tentando-lhes mostrar qual o  caminho certo.
Não devemos julgar, mas devemos ter o conhecimento para demonstrar o porquê da nossa opinião divergente, mostrando quais as consequências dos maus caminhos.
Aprendamos então com Pedro a enorme lição que Jesus, por Amor, lhe deu.
Entendamos o que está em causa e o que temos que fazer, a guerra existe, mas não é pela violência, mas sim pelo sacrifício que a ganharemos, se assim não procedermos arriscamo-nos a ficar humilhados e arrependidos tal como Pedro inicialmente ficou.
Todos nós um dia já erramos, mas a grandeza de um homem não é definida pelos erros que comete e sim pela forma como os corrige.
E jesus sabe disso, sempre perdoa e ajuda os arrependidos que pretendem fazer melhor na próxima.
Fazer justiça compete a Deus, a nós apenas lutar na divulgação do Evangelho e da Verdade!
UM ABRAÇO
 
Fontes:
PEDRO, O DISCÍPULO DESEJADO
http://www.santovivo.net/gpage56.aspx