Parábola das minas e dos talentos - A missão de TODOS que acreditam em Jesus

30/09/2014 00:01
                                   
Hoje examinaremos duas das parábolas ensinadas por Jesus a todos nós que acreditamos na sua mensagem e que em tudo definem qual deve ser a missão de todos os crentes, sem exceção.
Seja qual for o crente, com seu talento ou possibilidades, estas parábolas são de fundamental importância, pois definem qual deve ser a prioridade na sua vida.
Antes de mais convém que se diga que a parábola das minas (Lucas 19:11-26) e a dos talentos (Mateus 25:14-30) são duas parábolas diferentes, contadas em alturas diferentes e que quando analisadas em conjunto se complementam. Mas ainda assim a sua mensagem é muito semelhante, apesar que a das minas é um pouco mais abrangente e por isso será a ela que daremos maior atenção, fazendo uma pequena anotação à parábola dos talentos no final.

Analisemos a parábola das minas:

 

Estando eles a ouvi-lo, Jesus passou a contar-lhes uma parábola, porque estava perto de Jerusalém e o povo pensava que o Reino de Deus ia se manifestar de imediato.

Ele disse: "Um homem de nobre nascimento foi para uma terra distante para ser coroado rei e depois voltar.

Então, chamou dez dos seus servos e lhes deu dez minas. Disse ele: ‘Façam esse dinheiro render até à minha volta’.

"Mas os seus súditos o odiavam e depois enviaram uma delegação para lhe dizer: ‘Não queremos que este homem seja nosso rei’.

"Contudo, foi feito rei e voltou. Então mandou chamar os servos a quem dera o dinheiro, a fim de saber quanto tinham lucrado.

"O primeiro veio e disse: ‘Senhor, a tua mina rendeu outras dez’.

" ‘Muito bem, meu bom servo! ’, respondeu o seu senhor. ‘Por ter sido confiável no pouco, governe sobre dez cidades’.

"O segundo veio e disse: ‘Senhor, a tua mina rendeu cinco vezes mais’.

"O seu senhor respondeu: ‘Também você, encarregue-se de cinco cidades’.

"Então veio outro servo e disse: ‘Senhor, aqui está a tua mina; eu a conservei guardada num pedaço de pano.

Tive medo, porque és um homem severo. Tiras o que não puseste e colhes o que não semeaste’.

"O seu senhor respondeu: ‘Eu o julgarei pelas suas próprias palavras, servo mau! Você sabia que sou homem severo, que tiro o que não pus e colho o que não semeei?

Então, por que não confiou o meu dinheiro ao banco? Assim, quando eu voltasse o receberia com os juros’.

"E disse aos que estavam ali: ‘Tomem dele a sua mina e dêem-na ao que tem dez’.

" ‘Senhor’, disseram, ‘ele já tem dez! ’

"Ele respondeu: ‘Eu lhes digo que a quem tem, mais será dado, mas a quem não tem, até o que tiver lhe será tirado.

Lucas 19:11-26
 
Antes de iniciarmos a análise propriamente dita, devemos saber qual foi o objectivo da vinda de Jesus a este mundo;

“Pois o Filho do homem veio buscar e salvar o que estava perdido".

Lucas 19:10
Ora como vemos, imediatamente antes da parábola em evidência, Jesus nos responde e logo devemos enquadrar a parábola neste contexto, ou seja, estamos a falar em acordar as pessoas para a verdade e salvar as almas de todos aqueles que vivem na mentira material.
Jesus não veio para ganhar dinheiro, fama ou se acomodar a uma zona de conforto, sendo assim e antes de mais, todos devemos ter presente que o grande objectivo de Jesus foi salvar almas e deverá ser também o nosso, se nos dizemos crentes em sua palavra!
Avancemos para a análise à parábola:
 

ANÁLISE À PARÁBOLA DAS MINAS

 
Esta parábola foi contada em Jericó, durante a última viagem que o Senhor Jesus fez a esta cidade. O Calvário, com todo o seu horror, estava às portas.
 
Uma tensão de espírito incomum marcava o comportamento de nosso Senhor, e todos estavam admirados e com medo. Havia uma eletricidade no ar e todo mundo sentia que alguma coisa estava para acontecer. Alguns pensavam que o reino de Deus ia chegar imediatamente. Por isso Jesus contou esta parábola, a fim de diminuir mais a expectativa, a qual podia fácilmente se transformar numa rebelião contra Roma.
Jesus disse ao povo qual era seu plano na realidade. Ele tinha que ir a um lugar longínquo, para receber o reino e por isso ia demorar. Quando voltasse, não era para fazer o que estavam pensando. Todos achavam que o reino significava a soberania de Israel sobre as nações, mas Jesus ensinou que antes disso era importante que todos nós fossemos realmente postos à prova e por nosso livre arbítrio decidirmos a quem queremos servir; se a Deus ou se apenas a nós mesmos.
 
Enquanto prosseguimos com a história, podemos notar:
 

1. O PEQUENO CAPITAL RECEBIDO PELOS SERVOS, COM O QUAL TINHAM QUE NEGOCIAR.

 
Cada qual recebeu uma mina, todos o mesmo e esta era uma quantia aparentemente irrisória mesmo para aquele tempo.
Qual o símbolo desta mina?
O que é que todos os crentes têm igualmente e na mesma quantidade? Que é que todos possuem com igualdade: o rico e o pobre; o sábio e o ignorante; o preto e o branco; o homem e a mulher? Não é a mensagem da salvação, que todos nós chamamos o Evangelho de Cristo?
 
Esta é a mina, e toda pessoa salva o tem! 
Podemos diferir em muitos aspectos - incapacidades e outras coisas, mas neste campo todos nós estamos no mesmo pé de igualdade - pois temos a história do Evangelho.
Notem a pequenez da dádiva: só uma mina. Será que realmente isto pode representar o Evangelho?
Voltemos ao tempo da locução e poderão ver a beleza, a sensibilidade e o poder da metáfora. De um lado, um punhado de discípulos rodeados por um mundo hostil e com grande poder material, com filosofias sistematizadas, com forças militares e com uma religião venerável. Do outro lado, doze Galileus com a simples história da cruz, a pedra de tropeço para o judeu e loucura para o grego. A loucura da pregação, este era o pobre talento, segundo o valor estimativo do homem. Iam entrar na área dos negócios de um modo muito pobre. Mas a loucura de Deus é mais sábia do que a racionalidade dos homens, e a fraqueza de Deus é mais forte do que  a força dos homens. 
Era a repetição da funda e cinco pedrinhas do riacho, na mão de um rapaz chamado David, que encurtou a obra do gigante.
 
Ele deu uma mina a cada um - esta era a herança do mestre. Mas o que parecia ser tão insignificante, era o poder de Deus para a salvação.
 
Notem o propósito da dádiva. Era para se viver e negociar com ela. Assim nós, como eles, temos que viver do Evangelho e também negociar com ele. Temos que usá-lo para nós mesmos e para os outros. Temos a salvação não só para nos alegrarmos com sua doçura e segurança, mas também para negociarmos com ela. Temos que operar nossa salvação com temor, respeito e força. O Evangelho da salvação é nosso capital inicial.
Há dois modos como podemos usá-lo;
1-Para moldar nosso caráter, para nos tomar mais voltados às coisas celestiais e espirituais como Jesus. Temos que viver dele, para crescermos e nos fortalecer nas coisas espirituais, temos que fazer o Evangelho frutificar em nossa conduta, em nosso andar e em nossa vida, através dos seus santos princípios.
2-Depois temos que falar aos outros, se não o fizermos obviamente não cumprimos com a missão designada.
 

OS VÁRIOS TIPOS DE LUCRO AO SE NEGOCIAR.

1. Houve uma desigualdade de lucro, apesar do capital ter sido o mesmo. Um disse: "Tua mina rendeu mais dez". Outro disse: "Tua mina rendeu mais cinco". E todos, mesmo os não mencionados, devem ter tido lucros variados. Todos tinham a mesma quantia para começar, mas terminaram com resultados diferentes. Um ganhou dez vezes mais que o outro, e um deles não ganhou nada com o seu.
2. Onde estava a diferença? Não nos resultados aparentes. Os resultados exteriores podem ser causados pela diferença de posição, campo de trabalho ou oportunidade, pelos quais não somos responsáveis. A diferença também não está no número de almas salvas por nosso trabalho, nem pela quantidade de dinheiro que angariamos, nem pelo tamanho da igreja em que somos pastor ou membros. O homem colocaria a diferença nestas coisas, mas o homem é apto a cometer erros, Deus não avalia as coisas dessa forma.
 
TODOS QUE NEGOCIARAM, TIVERAM LUCROS!
Nenhum trabalho é vão no Senhor. Não há grandes dívidas neste negócio, nem investimento que resulte em perda. O homem que vive pelos princípios do Evangelho e tenta ganhar outros para Cristo, será sempre bem sucedido. O homem que trabalha pelo Evangelho não perde nada. Ninguém pode chegar e dizer: "Senhor, pus Tua mina em minha pequena loja, fiz o melhor que pude e agora ele se acabou. Todo aquele que trabalha, vai receber alguma coisa. O homem com as dez minas de lucro fez isto porque trabalhou mais. O de cinco recebeu o que merecia por seu trabalho também.
Mas e aquele que decidiu guardar a sua mina e nada decidiu fazer com ela?
Como vemos este servo deu uma desculpa para não fazer nada, não realizou a obra e ainda se justificou deturpando a Palavra de Deus ao dizer que Jesus tira o que não põe e colhe o que não semeou. Na verdade inventou desculpas porque teve medo, medo de quê?
Medo de trabalhar? Medo da rejeição dos outros? Medo de sair da sua zona de conforto? Medo de satanás? Medo do confronto com os cegos que caminham pela sua própria cegueira para o buraco?
Seja o medo qual for, não há desculpas pois quem tem fé não pode ter medo!

“No amor não há medo; pelo contrário o perfeito amor expulsa o medo, porque o medo supõe castigo. Aquele que tem medo não está aperfeiçoado no amor.”

1 João 4:18
 
Não devemos enrolar o Evangelho em nossos lenços de contentamento pessoal, sem fazer nenhum esforço para dá-lo aos outros. E este é o trabalho, não só do pastor, mas de cada crente. O mundo nunca será evangelizado por governantes. Cada crente deve ser uma testemunha que conte a história da cruz de Cristo. A pessoa que guarda sua mina e fala dela a ninguém, é igual ao avarento, que coloca seu tesouro numa meia velha e o esconde num buraco no chão. Ao desenterrá-lo, terá a surpresa de ver que todas as moedas escorregaram para fora da meia. Se quiser guardar sua salvação, fale aos outros sobre ela. Se quiser aumentá-la, então semeie.

OS TALENTOS (Mateus 25:14-30)

E aqui podemos fazer o paralelo com a parábola dos talentos de Mateus.
Nesta, contrariamente à das minas cada qual recebe talentos de acordo com a sua capacidade, ora também nós temos cada qual as nossas capacidades, sejam elas intelectuais, físicas ou financeiras, e os que trabalham com essas capacidades sempre conseguem lucros, sejam eles grandes ou pequenos, o Senhor Jesus sempre louva esses ganhos e recompensa os servos que os obtiveram.
Mas tal como no caso das minas, um dos servos com desculpas e medo decide enterrar o seu talento, e mais uma vez acaba justamente sem nada!

Conclusão:

Seja qual for o nosso talento ou dádiva, todos nós temos um evangelho a pregar, todos nós temos que honrar o grande sacrifício de nosso mestre e conseguir o melhor com o que nos foi dado.
A salvação dos perdidos e cegos é o grande objectivo do crente, tudo o resto Deus lhe acrescentará (1).
Quem nada fizer por medo, ou seja lá porque desculpa for, não é digno do que recebeu e nem é digno de servir o Senhor, pois demonstra que é um servo mau, inútil e egoísta.
Não há desculpas, hoje todos podemos fazer alguma coisa pelo Senhor,seja em nossa casa com os nossos familiares, com os amigos ou no nosso local de trabalho, e ainda que não tenhamos grandes capacidades em alguma área podemos no mínimo promover o trabalho dos outros que as têm, tal como o mau servo podia no mínimo ter conseguido sem grande esforço os juros do que lhe foi confiado.
Esta não é uma hora para relaxar e apenas olhar pelos nossos interesses, todos os servos de Jesus têm a obrigação de fazer o melhor que podem com o que lhes foi dado!
Abraço
 
Nota final:
Em manuscritos do evangelho de Mateus em Hebraico (2) na parábola dos talentos existe também o exemplo de um servo que decide esbanjar o seu talento com prostitutas e festas, ora é interessante que nesses manuscritos é esse servo que acaba nas trevas exteriores, onde há choro e ranger de dentes, acabando o que enterrou o talento na terra apenas sem nada, tal como em Lucas. É possível que nas traduções para o grego tenha existido uma tentativa (quanto a mim errada) para harmonizar os relatos de Mateus e Lucas, mas seja como for não existem diferenças doutrinais ou teológicas que impeçam o correto entendimento da mensagem de Jesus patente nestas parábolas.
 
Referências:

(1) Em primeiro lugar; Deus…e todas as outras coisas vos serão acrescentadas!

http://www.nunes3373eb.com/news/em-primeiro-lugar-deus%e2%80%a6e-todas-as-outras-coisas-vos-ser%c3%a3o-acrescentadas%21/

(2) Em que língua foram escritos os textos apostólicos (Novo Testamento)?

emunah-a-fe-dos-santos.weebly.com/em-que-liacutengua-foram-escritos-os-escritos-apostoacutelicos.html
 
Fonte:
A PARÁBOLA DAS MINAS
http://www.palavraprudente.com.br/estudos/cdcole/sermaov2/cap17.html