O servo inútil – Explicação da parábola

25/09/2015 12:31

                          

Nos últimos artigos abordamos a temática da salvação pela graça de Deus e como depois de salvos devemos ser também transformados em nosso íntimo por essa consciência.
Tendo essa realidade presente estamos agora em condições de entender uma das mais aparentemente “duras” parábolas contadas por Jesus. Como veremos essa parábola só pode ser entendida depois da aceitação da nossa condição de pecadores que necessitam da graça de Deus para ser salvos.
Vamos então à parábola:
"Qual de vocês que, tendo um servo que esteja arando ou cuidando das ovelhas, lhe dirá, quando ele chegar do campo: ‘Venha agora e sente-se para comer’?
Pelo contrário, não dirá: ‘Prepare o meu jantar, apronte-se e sirva-me enquanto como e bebo; depois disso você pode comer e beber’.
Será que ele agradecerá ao servo por ter feito o que lhe foi ordenado?
Assim também vocês, quando tiverem feito tudo o que lhes for ordenado, devem dizer: ‘Somos servos inúteis; apenas cumprimos o nosso dever’ ".
Lucas 17:7-10
 

Enquadramento temporal

Antes de mais devemos enquadrar a parábola temporalmente, pois hoje em dia vivemos num mundo muito diferente do mundo dessa parábola, embora como veremos, se ela for devidamente enquadrada, nos dará ainda hoje uma valiosa lição.
Vivemos numa era onde a convenção das leis do trabalho e as convenções sindicais garantem os direitos do trabalhador. O mundo dessa parábola nos parece injusto e muito distante da nossa realidade. Segundo nossos critérios, depois de um estafante dia de trabalho no campo, esse trabalhador da parábola merecia, no mínimo, um pouco de consideração de seu senhor. Merecia até mais, era digno de uma recompensa e de reconhecimento.
Todavia precisamos ter em mente que Jesus está construindo uma história sobre padrões de comportamento bem aceitos e amplamente conhecidos no Oriente Médio dessa era.
 

A razão de ser da parábola

Existe uma razão principal porque Jesus conta essa palavra:
Neutralizar o veneno da auto justiça e a arrogância pecaminosa.
Nós cristãos temos que ter a noção que Deus usou de sua graça para que possamos ser salvos, nós efectivamente não merecemos a salvação pelo que não estamos em posição de fazer exigências ao Senhor.
Essa Parábola do Servo Inútil vem com o objetivo de neutralizar o veneno da auto justiça e a arrogância pecaminosa.
A arrogância que nos faz pensar na religião das barganhas, na teologia moral de causa e efeito. A auto justiça que nos coloca numa pseudo posição de achar que podemos negociar com Deus o recebimento de qualquer benece em função de nosso bom comportamento.
A parábola do Servo Inútil vem desconstruir de uma vez por todas frases de efeito como essa: "eu trabalho para Deus, Deus trabalha para mim... Eu cuido das coisas de Deus, Deus cuida das minhas coisas".
Essa Parábola é atual! É dirigida a uma igreja que se ilude, pensado que pode dizer frases do tipo: "Eu determino".
Essa Parábola nos ensina que vivemos por conta da graça de Deus.
Merecemos o juízo! A salvação nos é conferida como nuance da bondade de Deus e por Jesus que pagou a nossa dívida por Amor. Não merecemos louvores pela nossa vida de pecado, somos aceitos pela sua inexplicável graça. Diante de um Deus Santo e Justo nunca poderemos dizer: "Deus está em débito comigo" pois Deus não orienta nossa relação com ele pelas normas das convenções laborais.
Deus é Criador. Nós somos suas criaturas, devemos a vida a Ele. Temos a obrigação de Lhe prestar o devido louvor.
 

Somos servos de Deus

Nesta nossa posição rebelde de pecadores e tendo consciência da graça de Deus para connosco ainda não devemos ter a arrogância de achar que obtivemos o estatuto de “amigos” ou “filhos” de Deus.
Neste mundo devemos nos assumir como seus servos, não nos pertencemos, Somos de Deus! Primeiro porque somos criação dele, finalmente porque fomos comprados por Ele (Jesus) (Redenção).

Quando o servo cumpre suas obrigações, ele merece algum tipo de elogio ou recompensa?

Nesse ponto chegamos no momento de entendermos o motivo de Jesus contar essa parábola:
DE UM DEUS QUE ESPERA TUDO DE MIM, O QUE POSSO DAR COMO BÔNUS?
10 Assim também vós, quando fizerdes tudo o que vos for mandado, dizei: Somos servos inúteis, porque fizemos somente o que devíamos fazer.
As recompensas nos são prometidas pela Palavra, mas não podemos trabalhar motivados apenas pela premiação. Servimos porque pertencemos a Ele, porque o amamos. Não existe excesso de mérito em nós. Mesmo após fazer tudo, continuamos sendo apenas servos, damos nosso máximo porque somos servos, e dar o máximo de nós, é nossa obrigação!
Se esperamos agradecimentos ou agrados porque estamos fazendo aquilo que é nossa obrigação fazer, isso significa que o nosso coração está na RECOMPENSA e não no DEVER.
OBEDECE A DEUS PORQUE O AMA, OU PORQUE QUER GANHAR RECOMPENSA?
A compreensão e aceitação da Parábola do Servo Inútil nos conduz ao caminho do não egoísmo e da não vaidade. Servimos a Deus porque esse é o nosso dever.
Você pode até dizer:
EU NÃO CONCORDO COM ISSO! SE EU FAÇO POR MERECER, DEUS TEM O COMPROMISSO DE ME RECOMPENSAR.
Você precisa entender uma coisa: DEUS SÓ RECOMPENSA AQUILO QUE FAZEMOS SEM SEGUNDAS INTENÇÕES. O que pavimenta o chão dessa parábola é a GRAÇA.
Somente alguém que foi redimido e salvo por Jesus é que pode dizer: SOU UM SERVO INÚTIL!
Essa parábola valoriza a relação de amor que deve existir entre nós e o Senhor Jesus.
Não é troca... É entrega total.

No dia que entendemos isso talvez possamos, aí sim, sermos qualificados como “amigos” de Deus:

“Já não vos chamo servos, porque o servo não sabe o que faz o seu senhor; mas chamei-vos amigos, porque tudo quanto ouvi de meu Pai vos dei a conhecer.”

João 15:15
 

Fontes:

A PARÁBOLA DO SERVO INÚTIL
http://teolovida.blogspot.pt/2015/02/a-parabola-do-servo-inutil.html