As lições das bodas de Caná

14/11/2017 15:47
                       
 
E, ao terceiro dia, fizeram-se umas bodas em Caná da Galiléia; e estava ali a mãe de Jesus.
E foi também convidado Jesus e os seus discípulos para as bodas.
E, faltando vinho, a mãe de Jesus lhe disse: Não têm vinho.
Disse-lhe Jesus: Mulher, que tenho eu contigo? Ainda não é chegada a minha hora.
Sua mãe disse aos serventes: Fazei tudo quanto ele vos disser.
E estavam ali postas seis talhas de pedra, para as purificações dos judeus, e em cada uma cabiam dois ou três almudes.
Disse-lhes Jesus: Enchei de água essas talhas. E encheram-nas até em cima.
E disse-lhes: Tirai agora, e levai ao mestre-sala. E levaram.
E, logo que o mestre-sala provou a água feita vinho (não sabendo de onde viera, se bem que o sabiam os serventes que tinham tirado a água), chamou o mestre-sala ao esposo,
E disse-lhe: Todo o homem põe primeiro o vinho bom e, quando já têm bebido bem, então o inferior; mas tu guardaste até agora o bom vinho.

João 2:1-10
 
 
Hoje falaremos do primeiro milagre de nosso Senhor Jesus Cristo. Pode até parecer estranho que o Evangelho de João, que conta apenas sete milagres do Senhor, dê tanta atenção a este milagre que, à primeira vista, parece até ter pouco valor. Faltava vinho num casamento e Jesus fê-lo aparecer, transformando em vinho a água destinada às lavagens cerimoniais religiosas judaicas.
Mas há um ponto que não podemos ignorar: é que no Evangelho as histórias contadas têm sempre dois sentidos. O primeiro é o dos factos em si. Neste caso, houve mesmo um casamento e Jesus, sua Mãe e seus apóstolos estavam lá, como convidados. Nesse casamento Jesus fez a transformação da água em vinho. Estes são os factos simples e em si mesmo aparentemente até de pouco valor para o primeiro milagre do Senhor. Se Jesus tivesse vindo à terra apenas para fazer destes prodígios não lucraríamos muito com isso. Mas há também nas narrativas de João um segundo sentido. É o sentido espiritual, se assim o quisermos chamar. E esse é infinitamente mais importante e o que analisaremos nesta matéria.
 

O Casamento

 
Lembremos que na Bíblia o casamento serve várias vezes para ilustrar a relação que há entre Deus e o Seu povo. Deus quer que Israel [e o mesmo podemos dizer da Nova Israel, que é a Igreja (congregação de todos os verdadeiros crentes em Jesus)] viva numa perfeita união e fidelidade com Ele, como idealmente uma esposa vive unida ao seu marido. Se quisermos dizer isto em termos individuais, diremos: Deus quer que vivas a tua vida, que eu viva a minha vida, num relacionamento de comunhão e fidelidade a Ele, nessa unidade feliz que um casamento puro deve ser.
Pensamos então que a escolha dum casamento para primeiro milagre é logo uma pré-figuração do casamento de Jesus (noivo), com a sua igreja (noiva). Dessa forma entendemos melhor as palavras de Jesus quando diz a Maria:
Mulher, que tenho eu contigo? Ainda não é chegada a minha hora.
João 2:4
Jesus enigmaticamente se referia aqui ao seu próprio casamento com sua igreja, pois a hora do mesmo ainda não tinha chegado, ela apenas chegará na sua segunda vinda a este mundo.

* (Interessa neste ponto também referir que a maneira como Jesus se dirige à mãe, chamando-lhe “mulher” não é uma forma rude, antes pelo contrário. Na cultura judaica o termo “mulher” indicava respeito. O Dicionário Vine sobre a cultura judaica declara sobre o termo “mulher”: “É usado para se dirigir a uma ‘mulher’, não sendo termo de reprovação ou severidade, mas de estima ou respeito.” )

 

 

Jesus aproveita então o seu primeiro milagre num casamento para dessa forma revelar um pouco do que tenciona fazer em seu próprio casamento com a sua igreja. Assim sendo Jesus nos dá algumas importantes pistas do que pretende fazer desse “casamento” e também valiosas informações para que possamos ser dignos de pertencer à igreja de Jesus Cristo, sua noiva:
 
1- Fazer o que Ele diz
 
A primeira dica é revelada pela própria Maria quando diz:
"Fazei tudo quanto ele vos disser."
João 2:5
É importante sabermos o que Jesus espera de nós, para isso é necessário conhecer e praticar o Evangelho. Fazer o que Jesus diz não é um ritualismo religioso mas sim uma prática de vida, onde procuramos ser justos, integros e honestos, tentando  fazer aos outros aquilo que gostariamos que nos fizessem. Dessa forma veremos os milagres de Deus na nossa vida.
 
2 - As 6 talhas vazias

 Exemplo de talha de pedra da época de Jesus

 
Vemos que nesse casamento existiam 6 talhas que seriam usadas para as purificações religiosas dos judeus. Ora o número 6 está na Bíblia sempre relacionado com o homem e neste caso relacionado com a “religião” do homem, cheia de ritualísticas e cerimoniais. As 6 talhas serem de pedra e estarem vazias representam o coração duro do homem (de pedra) e o facto de sua “religião” ser vazia, desprovida do Espírito Santo e de pouco valor para Deus. A ordem de Jesus para encher as talhas com água (que representa o Espírito Santo) mostra que mais que cerimonialismos religiosos devemos ser sim cheios do Espírito, isso sim é importante e não os rituais religiosos. Mas para que tal aconteça é importante respeitar o ponto 1, ou seja, “fazer o que Jesus diz”.
 
3- A transformação da água em vinho
 
A tranformação da água em vinho representa o que Deus pretende fazer na sua união com a igreja: Trazer alegria! A palavra-chave duma vida de autêntica união com Deus é a alegria. E a alegria, na Bíblia é representada pelo vinho (Salmo 104:15). A Bíblia não propõe, obviamente, o alcoolismo - antes pelo contrário! - mas é um facto fácil de constatar que se há alguma coisa que possa servir bem para ilustrar a alegria é o vinho. A esta luz já podemos perceber o que é que a mãe de Jesus quer dizer nesta passagem quando, olhando para aquele banquete, disse ao filho:.... "Não têm vinho" João 2:3.
A simples observação constata que falta alegria neste estilo de vida que os homens criaram, afastados de Deus, imersos nas amarras da religião ou da falta dela. Mas directamente, esta história denuncia a religião, tal como Jesus a encontrou nos seus dias. Era um casamento em que não havia alegria, não havia vinho. Naqueles dias e naquele país vinícola não havia forma mais grave de retratar o Judaísmo (que representa a religião humana) que dizer dele que era como um casamento em que não houvesse vinho.
 
4- O melhor vinho será servido no final
Todo o homem põe primeiro o vinho bom e, quando já têm bebido bem, então o inferior; mas tu guardaste até agora o bom vinho.
João 2:10
Uma outra coisa que Jesus nos indica é que o melhor vinho, ou seja o melhor para alegrar nossas vidas está guardado para o seu retorno para a igreja. Contrariamente ao homem, que sempre serve o melhor vinho primeiro para satisfazer os seus convidados e depois serve o pior quando estes já estão dessensibilizados à qualidade, Jesus nos promete exatamente o contrário. 
Contrariamente à religião humana e aos preconceitos religiosos castradores, vemos aqui que não é nada disso que Deus pretende para o homem. Deus quer que o homem viva, goze e seja feliz. 
O exagero e a busca do prazer momentâneo e desenfreado trazem o vício e a morte, por isso Deus nos procura alertar sobre os seus malefícios. Mas o prazer e alegria duradouros são uma promessa divina. De Deus devemos esperar o melhor e é exatamente isso que ele tem reservado para todos os homens fiéis a Jesus quando do seu regresso.
 
5- A data do casamento
 
E para finalizar temos ainda nesta passagem bíblica mais uma vez Jesus a sinalizar o seu regresso e casamento com a igreja. Conforme já em outros artigos dissemos, o dia e a hora ninguém sabe (Marcos 13:32), mas a época aproximada é por diversas vezes sinalizada por Jesus e neste primeiro milagre, que representa o seu retorno, não é diferente. 
Logo no inicio do evangelho de João (capítulos 1 e 2) encontramos a descrição de um conjunto de dias que culminam com as bodas de Caná. Se nos dermos ao trabalho de contar os vários dias dessa narrativa, verificamos que os primeiros 4 dias estão descritos em João 1:19,29,35 e 43. Até aqui nada a assinalar. Ao quarto dia porém vemos Cristo a empreender uma viagem e verificamos que ele só volta a aparecer passados 3 dias – ou seja no sétimo dia – já nas bodas.
 
1:43 No dia seguinte (4º dia) Jesus quis ir à Galileia... 2:1 E, ao terceiro dia fizeram-se umas bodas em Caná da Galileia; e estava ali a mãe de Jesus. 2 E foi também convidado Jesus e os seus discípulos para as bodas.”
João 1:43; 2:1-2
 
Mais uma vez é quase impossível não associar isto ao fato de o Messias ter estado no nosso meio no 4º milénio (1 dia «=» mil anos - 2 Pedro 3:8) ter ido para o pai, e voltar novamente ao 3º dia, no sétimo milénio para as bodas, miléno esse no qual vivemos atualmente.
 
 

Conclusão

 
O primeiro milagre de Jesus embora aparentemente sem grande significado nos traz como vimos muitas e importantes informações do que Jesus pretende fazer com os humanos que lhe forem fiéis. Com um casamento representando a sua volta e resgate da sua noiva (a igreja), as bodas de caná são uma sombra do que Jesus tem preparado para os seus fiéis. E uma coisa podemos ter a certeza, festa e alegria estão preparadas e você está convidado a participar!
Não desperdice então esta grande oportunidade que lhe foi oferecida pelo melhor partido do universo.
MARANATA!
 
Regozijemo-nos! Vamos nos alegrar e dar-lhe glória! Pois chegou a hora do casamento do Cordeiro, e a sua noiva já se aprontou.
Foi-lhe dado para vestir-se linho fino, brilhante e puro". O linho fino são os atos justos dos santos.
E o anjo me disse: "Escreva: Felizes os convidados para o banquete do casamento do Cordeiro! " E acrescentou: "Estas são as palavras verdadeiras de Deus".

Apocalipse 19:7-9
 
 

Fontes:

 

BODAS DE CANÁ 

http://www.estudos-biblicos.net/bodasdecana.html
 
Será que Jesus estava sendo desrespeitoso ou grosseiro no modo como se dirigiu à sua mãe na festa de casamento em Caná? — João 2:4.
https://wol.jw.org/pt/wol/d/r5/lp-t/2006887#h=5
 
Os "mistérios" da vinda do Messias