A parábola do bom samaritano (Parte 2) - Abordagem à parábola

20/01/2016 18:06
                                  

Veja primeiro:

A Parábola do bom samaritano – Introdução (Parte 1)
http://www.nunes3373eb.com/news/a-parabola-do-bom-samaritano-introducao-parte-1/
 
Abordagem à parábola
Vamos então agora analisar mais ao pormenor a parábola, mas não sem antes vermos a mensagem óbvia da mesma. Como já sabemos de outros artigos, todos os dados das parábolas de Jesus são importantes, nada é negligenciável, por isso devemos prestar atenção a tudo que é descrito.
Jesus começou a dizer: “Um certo homem descia de Jerusalém para Jericó...”. Esta estrada que levava as pessoas de uma cidade a outra tinha 28 Km de distância, ela era conhecida como o “Caminho de Sangue” por causa da insegurança e dos assaltos que eram frequentes naquele lugar. O caminho sinuoso, pedregoso, que ia de Jerusalém a Jericó, em apenas 28km descia mil metros. Jericó, uma das mais velhas cidades do mundo, está a 350 metros abaixo do nível do mar.
O caminho entre Jericó e Jerusalém era também conhecido pelos assaltos. O deserto, as cavernas e gargantas facilitavam o esconderijo e a fuga. O caminho era bastante usado, por ser, então, a única subida do vale do Jordão para a Cidade Santa. Negócios, obrigações legais e religiosas faziam movimentar a estrada perigosa, onde os viajantes costumavam subir ou descer em grupos, para se protegerem. Muitos sacerdotes que prestavam serviços no templo de Jerusalém moravam em Jericó, assim como os levitas, que eram os serviçais do templo.
O homem que descia para Jericó, Jesus não fala acerca da sua nacionalidade, da sua raça, se era branco ou negro, se era rico ou pobre. Este homem de repente se viu numa emboscada, caindo nas mãos dos salteadores, foi sem piedade assaltado e, reagindo ao assalto ele foi espancado; roubaram-lhe todos os seus pertences, o feriram bastante e o deixaram como morto à beira do caminho.
Depois daquilo, um sacerdote, um levita e um samaritano passaram por ele. Os dois primeiros eram religiosos (assim como aquele perito da lei que questionou Jesus) e, por isso, eram conhecedores da Palavra do Senhor. Já o terceiro era considerado um homem inferior e indigno, pois fazia parte de um povo inimigo dos judeus (samaritanos). O surpreendente desta parábola é que, enquanto os "homens bons" ignoraram aquele pobre rapaz, o "samaritano ímpio" fez tudo o que podia para ajudá-lo.
O homem desprezado pelo perito da lei que inquiriu Jesus é apresentado por este como exemplo de misericórdia, porque socorreu um irmão necessitado, sem saber quem era, sem medir perigos e consequências. Assim deve ser o verdadeiro discípulo de Jesus na nova comunidade, vendo na verdade todo o ser humano como seu próximo, não fazendo acepção de pessoas. Para Jesus dureza de coração e a supremacia dos interesses pessoais devem ceder lugar à misericórdia fazendo de todos o “nosso próximo”.
 

O QUE PODEMOS APRENDER?

O óbvio

Jesus critica a religiosidade cega do homem em mais uma parábola. Por conhecerem os mandamentos de Deus de "amar o próximo", o sacerdote e o levita tinham a obrigação de socorrer aquele homem que havia sido roubado, agredido e abandonado na entrada entre Jerusalém e Jericó. Porém, como não havia ninguém olhando, os dois ignoraram o fato, desviaram o seu caminho e deixaram aquele rapaz ali agonizando. Essa postura desses religiosos mostrou que eles não tinham um relacionamento verdadeiro com Deus e muito menos com o próximo. Eles eram falsos e hipócritas!
Enquanto isso, o samaritano agiu com bondade e amor. Mesmo fazendo parte de um povo odiado, ele conseguiu agradar a Deus ajudando o pobre rapaz que estava ferido. Com certeza, ele estava ocupado com algum afazer, mas, mesmo assim, deixou suas coisas em segundo plano para ajudar aquele homem. Com essa parábola, Jesus nos diz que é essa atitude que Ele espera de cada um de nós! Ele não quer que sejamos insensíveis com as necessidades dos outros, como aqueles dois religiosos que se julgavam verdadeiros "santos".
 

Mensagens mais profundas

Agora que já vimos o óbvio, vejamos então que outras mensagens nos deixa esta história.
O uso da descida de Jerusalém para Jericó não é por acaso:
Jerusalém, que significa "a visão da paz", era um local de paz, história, religião e privilégio. Essa era a cidade que Deus escolhera para ali colocar o seu nome, o centro de adoração e comunhão com ele próprio. Jericó por sua vez era a cidade da maldição (Js 6:26); esta cidade sempre esteve envolvida na Bíblia com coisas mundanas e nada santas.
 
O homem que descia de Jerusalém para Jericó representa no fundo todo o homem que habita neste mundo, caído das regiões celestiais ele desceu da cidade santa para a mundana e ficou alvo de ladrões e salteadores (representados por satanás e seus lacaios) neste mundo representado por Jericó. Este homem caído representa as almas que necessitam da salvação e do cuidado da igreja de Jesus, o hospedeiro da estalagem representa os servos de Jesus, que têm a obrigação de cuidar daqueles que foram tirados do mundo e inseridos na sua comunidade. O sacerdote e o levita representam a Lei, a velha aliança; e a Lei e a velha aliança não salvam ninguém. Vivemos, graças a Deus, no tempo da graça!
O samaritano é um representante do novo homem, como veremos adiante ele representa o próprio Jesus mas também o esperado discípulo de cristo. O óleo é o Espírito Santo; O vinho é o sangue de Jesus que cura o pecador e a hospedaria é a nova igreja que se levantou no mundo fruto da vinda de Jesus.
AS DUAS MOEDAS
As duas moedas são também alvo de uma interessante mensagem. O bom samaritano entrega dois dinheiros ao hospedeiro para fins de pagamento pelos cuidados com o homem que tinha sido assaltado, e diz que quando voltar pagará o valor que for gasto a mais.
No livro de Mateus, no capítulo 20, na parábola sobre as diversas horas de trabalho, observamos no versículo 2, que o pai de família ajusta com os trabalhadores que um dinheiro será o pagamento por um dia de trabalho: "Porque o reino dos céus é semelhante a um homem, pai de família, que saiu de madrugada a assalariar trabalhadores para a sua vinha. E, ajustando com os trabalhadores a um dinheiro por dia, mandou-os para a sua vinha."
Logo, fazendo uma ligação desta passagem com a parábola do bom samaritano, podemos concluir que se o hospedeiro recebeu dois dinheiros, e um dinheiro é o pagamento por um dia de trabalho, então o bom samaritano voltará após o término do segundo dia.
Mas, no livro de Salmos, 90:4, temos: "Porque mil anos são aos teus olhos como o dia de ontem que passou..."
Então, considerando que o bom samaritano voltará após dois dias, e se um dia para Deus é como mil anos, então podemos concluir, que após dois mil anos da partida do Senhor Jesus Cristo, ELE VOLTARÁ, para retribuir a cada um segundo as suas obras.

Conclusão

O princípio fundamental de conduta humana, de filosofia de vida, que essa parábola contém para nós é a mesma pergunta que o doutor da lei fez: "E quem é o meu próximo?" Como podemos distinguir quem é o nosso próximo? Alguém que precisa de nós é o nosso próximo, não importa o seu grupo étnico ou religioso. "O verdadeiro sentimento de ser o próximo, não é uma questão de proximidade física, de local, mas de amor". A verdadeira pergunta não é tanto: "Quem é o meu próximo", mas "Eu sou um próximo, verdadeiramente?"
Hoje em dia neste mundo de violência e ignorância está cada vez mais difícil para nós cristãos avaliarmos quando podemos ser também bons samaritanos, ainda assim este foi um belo ensinamento de nosso Mestre que não devemos esquecer. É certo que como as coisas estão é mais fácil não fazer aos outros o que não gostamos que nos façam a nós, do que fazer aos outros aquilo que gostávamos que nos fizessem, mas devemos lembrar que Jesus nos ensinou a proceder de acordo com a segunda sentença.
É também verdade que nós cristãos hoje vivemos na era da graça de Deus, em que basta crer no Senhor Jesus para ser salvo, independentemente das nossas obras. Ainda assim nenhum verdadeiro cristão deve esquecer as instruções de Jesus e que as boas obras devem nascer naturalmente em toda a sua conduta, servindo estas como tesouros na era que brevemente virá.  Assim acabo este artigo como comecei, ele foi feito não para enaltecer os cristãos e sim para relembrá-los do exemplo, Grandiosidade e ensinamento de nosso Mestre:
Porventura não considerou Deus a humanidade o seu próximo?
Ao perceber um mundo de pecadores desprovidos de sua verdadeira natureza, destituídos de ideais divinos, feridos pelos pecados, e incapazes de se levantar, o Verbo se fez carne, despojou-se de toda a sua glória e grandeza e habitou humildemente entre nós, dessa forma deu ao mundo um exemplo equivalente ao do misericordioso samaritano no que se refere ao agir. Por meio de sua morte e ressurreição, Cristo veste a nossa nudez, ata as nossas feridas e as cura com o bálsamo extraído de seu próprio coração partido. Ainda mais, ele nos coloca num lugar seguro, supre as nossas necessidades e prometeu voltar e levar-nos para si mesmo. Essa parábola é, dessa forma, radiante da beleza do evangelho de Jesus Cristo que, em sua vida e morte, cumpriu todas as características apresentadas por ela.
GLÓRIA A JESUS, O VERDADEIRO EXEMPLO DUM BOM SAMARITANO!
 

Fontes:

O bom samaritano Lc 10:33
http://www.pregadoresdotelhado.org.br/estudos/o-bom-samaritano-lc-1033
O BOM SAMARITANO
http://www.pastorantoniojunior.com.br/mensagens-evangelicas/o-bom-samaritano-parabolas-de-jesus
PARÁBOLA DO BOM SAMARITANO
http://bibliapalavraviva.blogspot.com.br/2015/02/parabola-do-bom-samaritano.html