A figueira sem fruto

12/05/2015 10:58

                            

 

Jesus entrou em Jerusalém e dirigiu-se ao templo. Observou tudo à sua volta e, como já era tarde, foi para Betânia com os Doze.
No dia seguinte, quando estavam saindo de Betânia, Jesus teve fome.
Vendo à distância uma figueira com folhas, foi ver se encontraria nela algum fruto. Aproximando-se dela, nada encontrou, a não ser folhas, porque não era tempo de figos.
Então lhe disse: "Nunca mais coma alguém fruto de ti". E os seus discípulos ouviram-no dizer isso.
Marcos 11:11-14
De manhã, ao passarem, viram a figueira seca desde as raízes.
Lembrando-se Pedro, disse a Jesus: "Mestre! Vê! A figueira que amaldiçoaste secou! "
Respondeu Jesus: "Tenham fé em Deus.
Marcos 11:20-22
O relato de Jesus e a figueira estéril é uma das mais intrigantes passagens da Bíblia e que tem levado a muitas discussões teológicas motivando até algum criticismo à atitude tomada por Jesus. Segundo Marcos 11:12-14, 20-24 (logo após uma recepção apoteótica em Jerusalém), quando Jesus avistou uma frondosa e convidativa figueira, se dirigiu a ela pensando que teria fruto mas nada nela achou, ele então a amaldiçoou e em resultado a árvore secou-se. Contudo, conforme Marcos disse claramente, não era época para figos.

Por que, então, Jesus amaldiçoou essa figueira? E por que Marcos, sob inspiração, registou esse incidente?

Embora alguns comentaristas da cristandade tenham encontrado dificuldade para explicar esse relato, os fatos não apenas justificam as ações de Jesus mas ainda revelam que Jesus ensinava uma grande lição contra a hipocrisia!
AS FIGUEIRAS NA PALESTINA
E antes de mais uma lição de botânica.
Figueiras são muito comuns na Palestina onde se pode encontrar pelo menos três espécies da planta.
Em todas elas vulgarmente o que aparece primeiro são os frutos e depois as folhas. Portanto, numa figueira com muitas folhas, seria normal encontrar frutos.

 Exemplo de figueira com figos já formados e folhas ainda em formação

 
Tomando as mais vulgares como exemplo, os figos, em geral não amadurecem antes de junho, mas começam a aparecer nos galhos das figueiras já em fevereiro. De fato, isso acontece dois meses antes de aparecerem as folhas nos galhos, em fins de abril ou início de maio. Assim, por volta da época em que a figueira da palestina tem folhas, ela deve com certeza ter figos. Isso ajuda-nos a entender que, quando Jesus viu essa figueira específica, em fins de março, embora não fosse a época para que as figueiras tivessem figos maduros, também não era a época para que as figueiras tivessem folhagem exuberante.
O fato da árvore ter folhas, mostra que estava madura fora de época. Certamente, não seria despropositado da parte de Jesus, esperar que uma árvore assim estivesse também adiantada, fora de estação, na produção de seus frutos. Essa árvore, porém, era improdutiva. Sem dúvida, como Marcos declarou, a árvore não tinha nada senão folhas, isto é, nenhum fruto. Certamente as folhas davam à árvore uma aparência enganosa.
 

Mas então por que amaldiçoou Jesus essa figueira improdutiva?

Os céticos se prendem aos dilemas de interpretação para fundamentarem suas descrenças, desprezando o contexto. Para o crente, contudo não é a dúvida que prevalece, mas a certeza de que o milagre aconteceu na hora e no tempo certo sendo para Deus possível todas as coisas.
Jesus poderia ter abençoado a figueira e fazê-la dar muitos frutos, mas por que escolheu o contrário? Isso é intrigante para muitos. O Mestre da vida havia ressuscitado mortos, curado doentes, expulsado demónios e ensinado pacientemente a pecadores, por que não transformar a figueira de infrutífera para frutífera? É uma pergunta interessante para se fazer. Consequentemente a resposta nos seria ainda mais surpreendente se considerarmos alguns dos acontecimentos ocorridos naquele dia na vida de Jesus e dos discípulos.

Antes:

Poucos dias depois:

 
Jesus tinha acabado de fazer uma entrada apoteótica em Jerusalém, mas como se viu era tudo hipocrisia. A recepção que Lhe foi dada em Jerusalém estava cheia de promessas, mas viria a ser nada. Os altos brados de "hosana!" brevemente se transformariam em "crucifica-o!"
 

A Figueira e Israel

A figueira crestada foi um símile singularmente apropriado do estado judaico.
 
A nação prometera a Deus grandes coisas. Enquanto todas as outras nações eram como árvores sem folhas, sem fazer nenhuma profissão de lealdade ao Deus verdadeiro, a nação judaica estava coberta da folhagem da profissão religiosa abundante. Os escribas, os fariseus, os sacerdotes e os anciãos do povo eram defensores rigorosos da letra da lei, e se jactavam de ser adoradores do único Deus e observadores escrupulosos de todas as Suas leis.
Nosso Senhor tinha olhado para dentro do templo, e descobrira que a casa de oração era um covil de ladrões que apenas procuravam o lucro e a posição social.
Jesus, com fome, encontrou uma figueira hipócrita. Linda, cheia de folhas, frondosa o atraiu, mas mentia. Tinha jeito de quem estava produzindo, mas nada produzia. Tinha aparência, mas não essência. Uma figueira mentirosa, fingida, mascarada por sua folhagem, com aparência de virtude, mas uma propaganda enganosa. Por isso a figueira foi amaldiçoada, por despertar nas pessoas falsas expectativas e desejos que não poderiam ser satisfeitos, uma defraudação do faminto.
Jesus não amaldiçoou a figueira por ela não ter fruto e nem por ela não dar frutos. O texto conta que não era tempo de figos. Nem todas as pessoas darão frutos a todo o tempo e algumas pessoas serão naturalmente mais frutíferas em suas vidas que outras. A questão não é dar ou não frutos. A questão é fingir que tem frutos!
Nosso Senhor viu que essa era uma excelente lição prática para Ele dar. Nenhuma injustiça foi feita contra pessoa alguma; era uma árvore em terreno baldio, e totalmente sem valor. Nenhuma dor foi aplicada; nenhuma ira foi sentida. Na lição prática, o Senhor simplesmente disse à figueira: "Nunca mais coma alguém fruto de ti". E a figueira secou-se. Com isto, nosso Senhor ensinou uma grande lição a todas as gerações com uma despesa mínima. O secamento de uma árvore serviu para a vivificação de muitas almas; e mesmo se não fosse assim, não era perda para ninguém quando a árvore  se secou depois de se revelar infrutífera. Um grande mestre pode fazer muito mais do que destruir uma árvore, se assim conseguir dar demonstrações da verdade e espalhar as sementes da virtude. É a máxima ociosidade da crítica pôr defeito em nosso Senhor Jesus por um item da melhor instrução poética que, se tivesse sido dado por qualquer outro mestre, teria recebido o louvor mais profuso da parte desses mesmos críticos.
Ele condenou a igreja judaica a permanecer coisa sem vida, sem frutos e assim aconteceu. A sinagoga permaneceu aberta mas seu ensino tornou-se uma formalidade morta. Israel não teve nenhuma influência sobre a vida contemporânea. A raça judaica tornou-se, durante séculos, uma árvore seca; não possuía nada senão a falsa profissão de fé quando Cristo veio, e aquela profissão evidenciou-se incapaz de salvar a cidade santa. Cristo não destruiu a organização religiosa dos judeus; deixou-os como estavam; mas eles se secaram desde a raiz, até à vinda dos romanos que com os machados das suas legiões desfizeram o tronco infrutífero.

Moral da história

E toda esta história deve servir de lição às:
-Nações
As nações podem estar adornadas com as folhagens da civilização, das artes do progresso e da religião, mas se não houver nenhuma vida interior de piedade nenhum fruto para a retidão, ficarão em pé por algum tempo e depois se secarão.
-Igrejas
Que exibindo uma vã profissão de fé, apenas visam o lucro e/ou os interesses próprios de seus pastores e responsáveis. Na hora de combater a hipocrisia e o satanismo no mundo apenas se prostituem com ele. Acabarão como a religião judaica…
-E para Nós
E finalmente que sirva de lição para nós!
Muitos atraem os outros pelos modos, pela conversa, pelas aparências, ou seja pela muita folhagem. Mas quando vamos ver os frutos, o que temos?
NADA!
Essas pessoas serão legitimamente inspecionadas pelo Rei Jesus.
Ele procurará fruto – Ele perscruta profundamente a nossa vida para ver se tem fruto, alguma fé genuína, algum amor verdadeiro, algum fervor na oração. Se ele não vir frutos não ficará satisfeito.
Jesus tem o direito de esperar fruto quando Ele vem procurá-lo – Ele tinha direito de encontrar fruto porque o fruto aparece primeiro, depois as folhas.
Assim aqueles que se exibindo arrastam os outros para a mentira e a hipocrisia só deverão esperar:
"Nunca mais coma alguém fruto de ti"!
Amém Senhor Jesus!
 

Fontes:

Jesus e a Figueira Estéril
http://www.estudosgospel.com.br/estudo-biblico-evangelico-diversos/jesus-e-a-figueira-esteril.html
A figueira murcha
http://hernandesdiaslopes.com.br/2004/03/a-figueira-murcha/#.VVCIxflViko
SÍNDROME DA FIGUEIRA FRONDOSA
http://www.cafecomdeus.com.br/sindrome-da-figueira-frondosa/
A figueira murcha – Spurgeon
http://www.ebah.pt/content/ABAAAgsUUAK/a-figueira-murcha-spurgeon